Março 2009


4/03/2009 – Juiz não pode impedir advogado de ligar notebook durante julgamentos. O entendimento do Conselho Nacional de Justiça foi firmado na análise de um pedido de providências feito por um advogado mineiro. Motivo: o juiz da 2ª Vara de Frutal (MG), Nilson de Pádua Ribeiro Júnior, mandou ele desligar o notebook da tomada, durante o julgamento, porque estava gastando eletricidade que é paga pelo Poder Público.

“Em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, magistrado ou servidor de tribunal não pode impedir que advogado, defensor público, ou membro do Ministério Público façam uso de computador portátil em sessão de julgamento, uma vez que se encontram no exercício constitucional de suas atribuições, sob pena de configurar manifesto cerceamento de defesa”, entendeu o CNJ.

O incidente ocorreu em 28 de agosto de 2007 em um júri feito na 2ª Vara Judicial de Frutal (MG). Ali, o advogado Flávio Ribeiro da Costa ligou seu notebook a uma tomada elétrica da sala de sessões. O juiz Nilson de Pádua Ribeiro Júnior disse pra ele desligar o aparelho, sob a alegação de que o gasto decorrente do uso da energia elétrica não poderia ser suportado pelo Estado. O promotor de Justiça apoiou a solicitação do juiz.

O CNJ, antes de julgar o pedido de providências, levantou dados oficiais sobre o custo da energia para ativar o aparelho ou recarregar a bateria. Concluiu que não há nenhuma expressão econômica, conforme atestado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que informou o consumo baixíssimo (0,06 kWh) e o custo de menos de um centavo (R$ 0,038) por hora.

O Conselho Nacional de Justiça respondeu à consulta também feita pelo mesmo advogado: o notebook de uso profissional pode ser ligado à rede dos prédios dos foros e tribunais. Na decisão vem explicitado que “o episódio deve ser examinado pela Corregedoria Nacional de Justiça, à qual se remete o procedimento para análise disciplinar”.

Fonte:Revista Consultor Jurídico

MÊS DE ANIVERSÁRIO DO BLOG NOVOS DIREITOS ANO III – No dia 23 do corrente mês o blog NOVOS DIREITOS completará 3 anos de vida. O texto abaixo foi extraído de um e-mail que recebi do magnífico portal Migalhas.com.br (passem por lá. Leiam, assinem a newsletter, partcipem dos sorteios, enfim aproveitem) por ocasião do meu aniversário no ano passado e há tempos estava querendo compartilhar. Acho esta história muito interessante e curiosa e altamente pertinente ao período festivo.
Abraços,
Alexandre Kruschewsky
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As gerações de bacharéis veteranos concorreram para a formação do mais rico folclore acadêmico, ou melhor, para o que se chama de suas “tradições”.

Foram os estudantes de uma turma próxima de 1930 os que criaram, um dia, o popular “pique-pique”, que atualmente todos cantam nos dias festivos.

Poucos conhecem a sua singular origem. Escreveu Guilherme de Almeida, a que se reportava o querido amigo Lauro Malheiros, em seu comovente livro de memórias intitulado “Rosas no Inverno”, que três estudantes, da turma que colaria grau em 1927, eram então amigos inseparáveis nas horas de boemia. Um deles – Ubirajara Martins de Souza – usava um extraordinário bigode de pontas finas e retorcidas para cima e por isso era apelidado de “pique-pique”. Outro, era Mário Ribeiro da Silva, “inteligência viva e afinado senso de humor” e que apreciava desconsertar os interlocutores mais austeros, interdizendo no meio das conversas frases desconexas, como esta : “Veja você, heim? Meia hora…”. O terceiro era Aru Medeiros; e juntos constituíam o grupo do “Pudim”…

Numa noite em que bebericavam o seu “chope”, no bar Pérola do Douro, sendo aniversário de Ubirajara, Mário o brindava, gritando: “Pique-pique, pique-pique, pique-pique”. Retrucou, então, Ubirajara: “Meia hora, meia hora, meia hora”. Daí, para emendar com “Rá-rá-tchin-bum”, foi um relâmpago. Estava criado o hino do “Pudim”, o grito de guerra de toda a estudantada.

Recordou Guilherme de Almeida que “no dia seguinte visitava a Faculdade de Direito o Marajá de Kapurtala. Entre outras manifestações, recebeu nas bochechas ilustres, berrado de perto, o primeiro ‘pique-pique’ oficial. Gostou e manifestou alto interesse pela harmonia e sugestiva língua falada no Brasil”…

Concluiu Lauro Malheiros – “foi assim que nasceu o ‘pique-pique’ em São Paulo. Entre estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco”.

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Adriano Marrey*
* Extraído da oração proferida na solenidade realizada na Faculdade de Direito de São Paulo, pela OAB/SP, em homenagem aos bacharéis em Direito com mais de 50 anos de exercício. O discurso foi depois impresso com o título de “Saudade das Arcadas”.